Paul Elliott, ex-jogador e atual responsável do Charlton Athletic, defende que as autoridades devem trabalhar “dentro dos trâmites da lei”, pelo que Gianluca Prestianni deve ser preso, caso se comprovem os insultos racistas a Vinícius Júnior, no Benfica-Real Madrid.
Paul Elliott, antigo jogador que se destacou ao serviço de clubes como Chelsea, Aston Villa ou Celtic, defendeu, esta quarta-feira, em declarações prestadas na rádio britânica talkSPORT, que Gianluca Prestianni deve ser condenado a prisão, caso se venham a comprovar os insultos racistas a Vinícius Júnior, no Benfica-Real Madrid.
“Se dissesses aquilo na rua, o que é que aconteceria? Passarias por um processo judicial, e, depois, no final, haveria um júri, uma judicatura independente, e poderias ser sujeito a uma pena de prisão, da mesma maneira que aqueles adeptos estariam na prisão durante oito meses”, começou por afirmar o agora vice-presidente da divisão de Igualdade, Diversidade e Inclusão do Charlton Athletic.
“As autoridades devem acolher e aceitar isso, porque os jogadores têm de perceber que, da mesma maneira que falamos dele enquanto seres humanos, ninguém está acima da lei. Os jogadores não estão acima da lei. Os jogadores são seres humano, por isso, o que importa é estabelecer isso dentro dos trâmites da lei. Há consequências”, prosseguiu.
“Se for tornado claro, além das dúvidas razoáveis, que as consequências são essas, dentro do sistema judicial, eles têm nos seus poderes a possibilidade de te colocarem na prisão por esse tipo de comportamento, da mesma maneira que é possível fazê-lo, no desporto, com os adeptos e as pessoas na rua”, completou.
“Por que é que Prestianni precisaria de tapar a boca?”
Paul Elliot levantou, também, questões quanto ao facto de Gianluca Prestianni (que Vinícius Júnior acusa de o ter chamado “mono”, ou seja, “macaco”) ter sentido a necessidade de tapar a boca com a camisola, no incidente que marcou o jogo da primeira mão do playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
“Por que é que precisarias de fazer isso, em primeiro lugar, se não ter nada a esconder? O jogo está constantemente a evoluir, e temos de seguir em frente com isto e modernizá-lo. Esta é uma área na qual vimos as consequências negativas do impacto que isto pode ter”, recordou o dirigente.
“Aquilo que estamos a perguntar é como é que podemos tornar o futebol melhor, como é que podemos tornar isto mais eficaz, como é que o podemos tornar mais eficiente? Como é que podemos transmitir aos jogadores a mensagem de que, se vão usar linguagem imprópria, se vão falar através da camisola, para distorcer o que dizem…”, refletiu.
“Com todo o respeito, vocês sabem e eu sei que, se estamos a falar sobre uma questão que vai além das dúvidas razoáveis, e sem fazer quaisquer julgamentos prévios, isto não tem bom ar”, rematou, a propósito do incidente que acabou por interromper este duelo durante, aproximadamente, dez minutos.
Tudo começou, recorde-se, quando Vinícius Júnior marcou o (grande) golo, que fez a diferença, no Estádio da Luz. O internacional brasileiro foi admoestado por ter, no entendimento do árbitro francês François Letexier, festejado com provocações para as bancadas, e acabou por envolver-se numa troca de palavras com Gianluca Prestianni.



