Número de casos cresceu entre adultos jovens; exame simples nas fezes pode indicar risco e antecipar investigação com colonoscopia.
- Exame de sangue oculto nas fezes
- E a colonoscopia
Diferentemente de outros tipos de câncer, o de intestino – também chamado de câncer colorretal ou adenocarcinoma colorretal – é altamente prevenível. Isso porque a maioria dos tumores de intestino surgem de pólipos que podem ser identificados e removidos por meio da colonoscopia.
Colonoscopia – o “padrão ouro”
A colonoscopia é o exame chamado de ‘padrão ouro’ nesta área. Isso porque este exame permite que o médico veja todo o intestino e verifique se há alguma lesão, por meio da inserção de uma cânula com uma câmera pelo ânus. Em caso positivo, um eventual ou eventuais pólipos são removidos.
No Brasil, a colonoscopia costuma ser recomendada a partir dos 50 anos de idade, caso o paciente não tenha histórico familiar de câncer de intestino. Nos Estados Unidos, a recomendação já ocorre a partir dos 45 anos e, no Japão, a partir dos 40 anos.
Se num primeiro exame o paciente não tiver nenhum pólipo ou lesão, o exame pode ser repetido somente 10 anos depois. Se houver algum pólipo, dependendo do tipo, o paciente pode precisar repetir o exame em cerca de 5 anos ou menos.
“A colonoscopia pode identificar pólipos – que em 90% das vezes são lesões precursoras – e remover estes pólipos. Este é o único exame de rastreamento onde você não deixa desenvolver o câncer. É diferente da mamografia, onde você busca a fase mais precoce, ou de quando faz o papanicolau”, explica a coordenadora do comitê de Tumores Gastrointestinais altos da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Ignez Braghiroli.
Apesar se a colonoscopia ser um exame altamente preciso e eficaz, ele não é isento de riscos. Em raros casos, pode haver perfuração do intestino (cerca de 0,2%). Além disso, ele exige um preparo considerado desconfortável por muita gente.
Na véspera do exame, o paciente precisa iniciar à noite uma dieta mais pastosa e começar a tomar laxantes para que o intestino esteja limpo na hora do exame. Por este motivo, muitas clínicas oferecem a opção de o paciente passar o dia do exame internado, para que a parte mais intensa do uso de laxantes seja feita na própria unidade de saúde.
Isso evita que o paciente tenha vontade de ir ao banheiro durante o trajeto. Além disso, quando internado, o paciente já pode se hidratar por meio de soro intravenoso na unidade de saúde, evitando mal-estar, explica o oncologista do Hospital São Vicente de Paula Décio Lerner.
“Ainda existe um preconceito e muitas pessoas desistem de fazer o exame por causa do preparo. Mas o exame em si é tranquilo e indolor, porque o paciente é sedado”, acrescenta Lerner.
Fonte: G1



